A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, foi criticada durante audiência pública na Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (2). Convidada para prestar esclarecimentos sobre o trabalho dos órgãos ambientais e o combate aos incêndios nos biomas brasileiros, Marina acabou no centro de um debate acalorado, marcado por acusações de alinhamento ideológico, falta de compromisso com o desenvolvimento nacional e omissão em questões estratégicas, como a pavimentação da BR-319.
O deputado federal Evair Vieira de Melo (PP-ES) foi um dos mais enfáticos ao questionar a atuação da ministra. Em seu discurso, ele acusou Marina de nunca ter produzido ou contribuído com a geração de riqueza no país. “A senhora nunca trabalhou, nunca produziu, não sabe o que é prosperidade construída pelo trabalho. Seu discurso é totalmente alinhado com ONGs internacionais. A senhora representa interesses de fora, não do Brasil”, disparou o parlamentar.
A crítica, embora dura, ressoa com o crescente incômodo de setores do agronegócio e de regiões como o Norte e Centro-Oeste, que cobram da ministra uma postura mais pragmática e menos ideologizada frente aos desafios do desenvolvimento sustentável. Para muitos parlamentares, Marina mantém uma visão restritiva e desconectada da realidade de milhões de brasileiros que dependem de infraestrutura e da expansão produtiva para sobreviver.
BR-319 vira ponto central das críticas
Outro ponto de tensão foi a pavimentação da BR-319, uma das principais demandas da população do Amazonas. O deputado capitão Alberto Neto (PL-AM) cobrou diretamente a ministra sobre sua posição em relação à obra: “Ministra, a senhora é contra ou a favor da BR-319? Nosso povo não aguenta mais. Sua fala dizendo que a BR seria ‘só para passear’ foi desastrosa. O Ibama e o ICMBio só vão poder fiscalizar se houver estrada”, afirmou.
A ministra tentou se defender afirmando que desde 2013 defende a realização de uma avaliação ambiental estratégica para a BR-319, mas evitou dar uma resposta direta sobre ser contra ou a favor da pavimentação. “É fácil ter um bode expiatório. Botam a culpa em mim para ganhar eleição. Virei cabo eleitoral de algumas pessoas nessas regiões”, rebateu Marina.
A resposta, no entanto, foi vista por parte da comissão como uma fuga do debate. A falta de clareza em temas fundamentais tem sido um dos principais motivos das críticas à gestão de Marina Silva. Deputados alegam que sua postura, muitas vezes intransigente e voltada a agendas internacionais, ignora realidades locais e emperra obras fundamentais para o desenvolvimento regional.
Capitão Alberto Neto (PL-AM) sugeriu que ela deveria “pedir demissão”.
Deputados apontam falta de compromisso com o Brasil real
O deputado Zé Trovão (PL-SC) também se manifestou de forma contundente: “A senhora é uma vergonha como ministra. O país precisa de alguém que tenha compromisso com o Brasil real, e não com interesses de fora que querem paralisar nossa economia.”
Ministra culpa extremos climáticos por aumento de incêndios
Durante a audiência, Marina ainda tentou justificar os números do desmatamento e dos incêndios florestais, afirmando que os focos de calor aumentaram em 2024 devido a eventos climáticos extremos, em parte causados por fenômenos globais. “De fato, tivemos um aumento dos incêndios em função de extremos climáticos que afetaram o mundo inteiro, não só o Brasil”, disse ela.
No entanto, os dados de desmatamento seguem sendo uma preocupação, e muitos parlamentares argumentam que o governo tem falhado tanto na prevenção quanto no enfrentamento efetivo dos problemas ambientais. As ações do Ibama e do ICMBio também foram criticadas por burocratizar licenças e dificultar projetos de infraestrutura que poderiam beneficiar milhares de famílias.
A audiência escancarou um impasse cada vez mais evidente entre a agenda ambiental do governo Lula, representada por Marina Silva, e os interesses econômicos e sociais de diversas regiões do país. Enquanto a ministra insiste em manter sua posição alinhada a padrões internacionais, setores importantes da política nacional apontam que o Brasil precisa equilibrar preservação com desenvolvimento.
